Fusão de Gol e Azul pode elevar preços e afetar aeroportos, diz presidente da Aena
Executivo fala sobre preços, aeroportos e também comenta evolução na gestão de Congonhas

Em entrevista à Folha de São Paulo, Santiago Yus, presidente da Aena Brasil, concessionária responsável pelo Aeroporto de Congonhas, destacou que uma possível fusão entre as companhias aéreas Gol e Azul pode levar a um aumento da concentração no setor aéreo brasileiro, o que, em sua visão, pode impactar negativamente tanto os preços das passagens quanto a operação de aeroportos menores em várias regiões do País.
Yus afirmou que a fusão pode resultar em uma maior dominação de mercado por essas duas empresas, o que tenderia a reduzir a concorrência. Isso, segundo ele, poderia ocasionar o aumento dos custos para os passageiros. Além disso, o executivo ressaltou que a redução da concorrência também pode impactar a qualidade dos serviços, especialmente em aeroportos menores e mais distantes, como em locais no Pará ou em cidades como Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, citando alguns exemplos.
"A gente tem aeroportos lá na ponta, no Pará, em Ponta Porã (MS)... É difícil manter algumas operações. Se essa fusão mudar a estratégia de operação dessas empresas, podemos ter dificuldades adicionais"
Santiago Yus, presidente da Aena Brasil
O presidente da Aena se mostrou preocupado com o impacto da fusão na oferta de voos em regiões periféricas, onde a presença de companhias aéreas menores é mais forte. "Essas fusões podem resultar em um ajuste de rotas ou até na redução de frequências em alguns destinos", completou.
A fusão entre a Gol, controlada pela Abra, e a Azul foi anunciada em janeiro, com a assinatura de um memorando de entendimento entre as duas empresas. Agora, o processo aguarda a aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Yus fez questão de lembrar que, caso aprovada, essa fusão vai remodelar a estrutura do mercado aéreo no Brasil, tornando-o mais concentrado e possivelmente menos competitivo em algumas áreas.
Congonhas
O executivo também falou sobre o principal aeroporto administrado pela empresa: Congonhas. Yus explicou que a Aena está comprometida em melhorar a infraestrutura e a eficiência do terminal, com a expectativa de aumentar a capacidade de passageiros do aeroporto de 23 milhões, em 2024, para cerca de 30 milhões até 2030. Para isso, diversos investimentos estão planejados para ampliar a infraestrutura, ajustando o aeroporto às novas demandas do setor.
Uma das iniciativas que tem chamado atenção é a redução das operações de aviação executiva no terminal. A partir de agora, os jatinhos não poderão mais utilizar a pista principal do aeroporto, o que, segundo Yus, contribuirá para melhorar a pontualidade dos voos comerciais e aumentar a receita do aeroporto.
"A aviação executiva, por transportar um número reduzido de passageiros, é menos eficiente. Um jato executivo leva no máximo dez pessoas, enquanto um avião comercial pode carregar até 130. Isso representa um uso mais intensivo e eficiente do espaço do aeroporto", explicou o presidente da Aena.
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