Qual é o potencial do Turismo regenerativo no setor de viagens? Leia artigo
Fundador da startup Biofábrica de Corais destaca o fato de que a sustentabilidade faz parte dos negócios

O CEO e fundador da startup de biotecnologia Biofábrica de Corais, Rudã Fernandes, estará na WTM Latin America 2025 conduzindo a palestra "Como Transformar o Monitoramento de Impactos em Estratégia de Vendas no Turismo Responsável", que será ministrada no dia 15 de abril, a partir das 14h45.
Em artigo exclusivo para o Portal PANROTAS, Rudã fala sobre o potencial do Turismo regenerativo na transformação do setor de viagens, destacando a urgência de ampliar o campo de visão para compreender que a sustentabilidade faz parte do business e que representa mais negócios e oportunidades. Confira, abaixo, o artigo na íntegra:
O Turismo regenerativo e seu potencial para impulsionar o setor de viagens
Por Rudã Fernandes
"As discussões sobre mudanças climáticas ganham ainda mais força à medida que eventos naturais ou medidas de restrição de turistas impactam destinos turísticos em todo o mundo. Nesta seara, é inegável a importância do setor de Turismo e seu potencial para assumir essa temática com protagonismo, ainda mais no Brasil, que é um berço da riqueza natural e cartão de vista para o mundo, seja contribuindo nas discussões de políticas de desenvolvimento sustentável ou incentivando estudos científicos que, na prática, podem acelerar o combate a danos ao meio ambiente, com ações de regeneração e preservação à biodiversidade.
Não se trata de abraçar árvores ou investir isoladamente em projetos pontuais para conceder visibilidade às marcas patrocinadoras a projetos de sustentabilidade em destinos, como alguns líderes do setor ainda imaginam. É urgente ampliar o campo de visão para compreender que a sustentabilidade faz parte do business e que representa mais negócios, mais oportunidades. É neste prisma que o Turismo regenerativo, por exemplo, tem emergido como uma estratégia inovadora que alia a conservação ambiental à geração de receita no setor turístico.
Uma das iniciativas de destaque nesse contexto é a regeneração de corais oceânicos, que não apenas revitaliza ecossistemas marinhos, mas também impulsiona economias locais por meio do ecoturismo. O Brasil, suas piscinas naturais e seus mais de sete mil quilômetros de extensão de costa litorânea é um campo vasto e produtivo, cujas atividades ainda estão engatinhando no Turismo, se comparado com projetos globais.
Estima-se que o Turismo de recifes movimente cerca de US$ 35,8 bilhões por ano em todo o planeta, segundo dados da pesquisa "Mapping the Global Valueand Distributionof Coral Tourism" (2017), sustentando milhões de empregos em setores como hotelaria, operações turísticas e transporte. De acordo com esse estudo, 90% das dez maiores jurisdições de recifes de coral do mundo possuem instituições e projetos que trabalham na conservação, como são os casos de USA (Havaí e Flórida), México, Egito, Thailândia, China, Indonésia, Austrália, Japão e Filipinas.
Berçários de Corais e o Turismo
Projetos de propagação e replantio de corais têm se expandido globalmente na última década, promovendo o envolvimento de diversas partes interessadas na conservação marinha. Esses berçários não apenas restauram habitats degradados, mas também atraem turistas interessados em experiências ecológicas e educativas, gerando receitas adicionais para as comunidades locais.
Exemplos de sucesso
Destinos turísticos e empreendimentos hoteleiros têm exemplos de sucesso. Na Austrália, a Grande Barreira de Corais atrai mais de dois milhões de visitantes anualmente, destacando a interseção entre conservação e Turismo.
Já a rede Iberostar, por exemplo, vem avançando de forma consistente em sua política global de sustentabilidade, e estão se aproximando da meta de serem 100% livres de resíduos – em especial, os plásticos - em seus resorts. Entre outros comprometimentos, o complexo também investe em projetos de preservação de tartarugas marinhas que desovam nas áreas de abrangência de seu complexo na Praia do Forte.
No Brasil, a Biofábrica de Corais, startup de biotecnologia que nasceu em 2017 a partir de um amplo estudo científico de biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco, recebeu agora em 2025 o endosso global da ONU - Organizações das Nações Unidas, juntando- se a demais projetos de referência global em restauração integrada do oceano.
O reconhecimento traz à startup brasileira de biotecnologia o compromisso de desenvolver, fomentar e contribuir com pesquisas científicas globais, em uma articulação entre cientistas e pesquisadores do mundo todo, como parte das ações da "Década do Oceano e Restauração dos Ecossistemas", que foi proclamada pela ONU para o período de 2021-2030.
A Década do Oceano busca conscientizar a população em todo o mundo sobre a importância dos oceanos e mobilizar atores públicos, privados e da sociedade civil organizada em ações urgentes e necessárias que favoreçam a saúde e a sustentabilidade dos mares. Essa iniciativa enfatiza a importância de projetos que combinam ciência, conservação e desenvolvimento econômico, como os berçários de corais, sendo que o turismo regenerativo, por meio da regeneração de corais, representa uma oportunidade significativa para alinhar objetivos econômicos e ambientais, posicionando o Brasil como exemplo na restauração de ecossistemas marinhos."