Filip Calixto   |   25/02/2025 18:44
Atualizada em 25/02/2025 20:51

CEO da Latam classifica reforma tributária como "banho de água fria" para aviação

Impostos arrecadados pelo governo com a operação da Latam deve subir para R$ 6,5 bilhões, diz CEO

PANROTAS / Emerson Souza
Jerome Cadier, CEO da Latam, foi um dos painelistas do Lacte 20 neste segundo dia
Jerome Cadier, CEO da Latam, foi um dos painelistas do Lacte 20 neste segundo dia

A recente aprovação da reforma tributária no Brasil gerou um grande alvoroço no setor aéreo. Para o CEO da Latam, Jerome Cadier, a reforma representa um "banho de água fria" para a aviação nacional, especialmente no que tange aos custos operacionais e ao preço das passagens aéreas.

Participando hoje (25) do Lacte 20, Cadier destacou que, atualmente, a Latam recolhe aproximadamente R$ 2 bilhões em impostos anualmente. No entanto, com a nova tributação, esse valor será mais que triplicado, chegando a R$ 6,5 bilhões, o que, segundo o executivo, afetará diretamente o custo para os passageiros.

"Vai vir de quem? Vai vir do passageiro", afirmou Cadier, ressaltando que o aumento da carga tributária será repassado aos consumidores, o que poderá resultar em uma diminuição da demanda por voos, tanto no mercado doméstico quanto internacional.

"O setor aéreo será brutalmente impactado pela reforma tributária. Eu acho que, para o Brasil, a reforma tributária é boa, já para o setor aéreo é um banho de água fria. Então, vou dar dois números que mostram isso. Hoje, a Latam recolhe, todo ano, em torno de R$ 2 bilhões em impostos. Esse índice vai subir para R$ 6,5 bilhões. É o quanto a Latam vai repassar de imposto para o governo. Vai vir de quem? Vai vir do passageiro. A gente só repassa imposto. A gente não produz imposto"

Jerome Cadier, CEO da Latam

De acordo com estimativas da Latam, já salientadas antes aqui no Portal PANROTAS, a implementação gradual da reforma, que ocorrerá entre 2026 e 2033, poderá resultar numa redução de 6,2% nos voos domésticos e uma queda de 22% no número de passageiros internacionais que entram no Brasil.

Cadier acrescentou que as mudanças podem dificultar a ampliação da aviação no País, deixando o Brasil mais distante das metas de conectividade aérea e turística que o setor almeja. "Infelizmente, vai demorar mais para a gente chegar nos patamares do Chile, da Colômbia, nem envolvendo os Estados Unidos ou a Europa", completou o executivo.

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