Viagens corporativas: como eram no passado e qual rumo tomarão?
Uma viagem às décadas anteriores mostra que os serviços eram muito mais valorizados e reconhecidos; veja opinião de especialista

Quem vivenciou esse período garante que ele não foi apenas marcado por desafios e problemas, mas também por diversos pontos positivos que ficaram para trás. Essa é a visão do presidente do Conselho de Administração da Costa Brava, Mauro Schwartzmann, que contou ao PANROTAS Corporativo o que mudou de lá para cá e quais rumos o setor poderá tomar daqui para frente.
“Nos anos 1980 e meados dos anos 1990 as viagens corporativas eram, sob o ponto de vista de tecnologia, muito mais trabalhosas para as agências. Os sistemas, se comparados aos de hoje, eram muito básicos e quase sempre tínhamos que consultar nossos ‘tarifeiros’ e os das companhias aéreas, além dos livros OAG e ABC e do próprio tarifário da PANROTAS, sem contar que as emissões eram feitas em bilhetes carbonados, à mão”, relembra Schwartzmann.

“Existiam poucas opções de tarifas se comparado com a 'sopa de letrinhas' da atualidade, e havia acordos corporativos bem mais amigáveis, uma remuneração justa, prazos mais longos para pagamento de faturas, quase não havia fraude e corrupção. Tenho que registrar que foram tempos com muita amizade agregada à relação profissional. Os gerentes e diretores tinham mais liberdade para ajudar em confirmações de voos, upgrade, isenção de taxas etc”, conta o especialista.
E HOJE?
Hoje tudo é "de acordo com o que está no sistema, muito pragmático", segundo o empresário. "Não há mais - com raras exceções - a intervenção humana, tudo tem que ser o que consta nas regras e ponto final. Claro que a tecnologia melhora sobremaneira a gestão, porém exige investimentos elevados e permanentes, sem falar que as inovações chegam com velocidade gigantesca, como avalanches, e nos obrigam a acompanhar o ritmo, sob pena de ficarmos em desvantagem na busca de clientes."
O estresse hoje é muito maior, a concorrência é predatória e as margens em função dessa ‘guerra’ ficam muito mais baixas, na visão de Schwartzmann. "Tenho muita dificuldade para entender esse caminho onde o cliente busca máxima economia, mas não leva em conta que para receber aquela enorme gama de serviços, que em última análise geram mais economia e produtividade à sua empresa, a TMC tem que cobrar um fee justo, proporcional ao seu investimento em tecnologia e recursos humanos, de tal forma que justifique o empenho em fazer uma gestão irretocável para a empresa cliente. Com toda certeza posso afirmar que nossos serviços eram muito mais valorizados e reconhecidos no passado”, pondera o especialista.
Para os próximos anos, o prognóstico é difícil de ser definido. “Claro que a avalanche tecnológica continuará nos pressionando e a guerra entre as agências parece que nunca irá acabar – infelizmente, porque isso é muito ruim para todo o trade e para o mercado de maneira geral”, ressalta.
Já a gestão das contas das empresas terá que ser, segundo Schwartzmann, mais consolidada, não só voltada unicamente para viagens propriamente ditas e seus complementos, mas também envolvendo outros serviços que agreguem mais valor à gestão. O acompanhamento do dia a dia dessa gestão será cada vez mais necessário, fatalmente as viagens a lazer irão complementar as viagens a trabalho, gerando como consequência muito mais qualidade de vida a todos.
“De todo modo, como acredito que as coisas tendem sempre a melhorar, de alguma forma, ao contrário ao que temos assistido no Brasil, espero que o nosso setor seja reconhecido, como um todo, por atitudes éticas, por oferecer serviços de alta qualidade a preços justos, com total transparência. Que possamos ser exemplo de conduta”, conclui Schwartzmann.