Quase 70% das operadoras Braztoa realizaram vendas em junho
Abril foi o pior mês de vendas e junho indica uma leve e gradativa recuperação nos resultados.

FATURAMENTO

Para que o atual cenário do setor seja refletido com clareza, alguns dados precisam ser conectados. Exemplo disso é a correlação entre o número maior de operadoras que estão com suas vendas ativas e o volume dessas comercializações. Para a maior parte das associadas Braztoa (72%), essas vendas, apesar de serem importantes, representam somente até 10% do que foi vendido no mesmo período de 2019. Se levarmos em conta o faturamento dessas empresas em 2019 (R$ 15,1 bilhões) estima-se que as operadoras de turismo deixaram de faturar R$ 4,5 bilhões, nos quatro meses da pandemia.
Apesar do cenário desafiador, o aquecimento gradual das vendas trouxe uma perspectiva positiva e, para 48% dos pesquisados, junho foi melhor que maio. Para outros 37%, os meses foram similares e isso pode ser um reflexo do perfil de atuação de cada empresa, já que o anúncio da abertura das fronteiras foi divulgado apenas na noite de ontem (29/07).
“Os dados de junho apontam para uma leve melhoria na visão das operadoras. Nota-se uma parcela crescente de empresas que realizaram vendas. Chama atenção uma sensação geral de melhora ou semelhança em relação ao mês anterior. Em tempos tão turbulentos, é valiosa a percepção dos empresários de que não houve piora”, disse a líder do LETS/UnB, Helena Costa.
PRÓXIMOS EMBARQUES

Já comercializações cujos embarques acontecerão entre agosto e dezembro de 2020 alcançaram 60% das operadoras, e as vendas de viagens que serão realizadas em 2021, 62% das empresas.
DESACELERAÇÃO DOS CANCELAMENTOS

EMPREGOS E ECONOMIA

Apesar das dificuldades enfrentadas, 18% das empresas pesquisadas não realizaram demissões. 56% das operadoras tiveram redução de até 50% das suas equipes, uma ação condizente com o cenário de queda de vendas e de fluxo de trabalho. Já para 26% das empresas, suas equipes tiveram redução acima de 51%.
O gráfico acima mostra a movimentação das demissões, que chegaram a aproximadamente 1.400 postos de trabalho. Quase 50% aconteceram no mês de março e, em junho, voltaram a crescer. O prolongamento da interrupção das atividades, a dificuldade para captação de linhas de crédito e a insegurança quanto à aprovação de medidas que flexibilizem as relações trabalhistas e de consumo, levaram à contenção dos custos e, consequentemente, às demissões.
EXPECTATIVAS E PERSPECTIVAS
Questionados sobre expectativa de faturamento no segundo semestre de 2020 (julho a dezembro), considerando o mesmo período do ano anterior, 37% das operadoras espera uma redução entre 76% e 100%. Já para 33% das empresas, a redução deve ficar entre 51% e 75%. Enquanto isso, 13% acreditam que a diminuição fique entre 26% e 50%, percentual que se repete entre as empresas que não conseguem prever como será o período. Por fim, apenas 4% das pesquisadas espera que a retração seja de até 10%.Considerando o cenário atual da pandemia, mais da metade (54%) das empresas espera atingir o mesmo volume de faturamento pré-pandemia apenas em 2022. Os que aguardam esses resultados em 2021 somam 13%, ficando quase empatados com os que esperam o mesmo apenas para 2023. Quase um quarto das empresas (23%) não soube opinar. Esse aspecto da pesquisa é muito volátil e tende a ter grandes mudanças de acordo com os acontecimentos, como a descoberta de uma vacina, abertura mais ampla das fronteiras, entre outras coisas.
A retomada das vendas, das viagens e das atividades depende de diversos fatores e geram alguns pontos de preocupação, cujos destaques estão no fechamento das fronteiras (88%), condições sanitárias (75%), posicionamento de marca (74%), câmbio (67%), fluxo de caixa (65%), segurança sanitária e medo por parte do consumidor (65%).