Tarifa hotelaria alta é ignorada por viajantes de luxo; setor vive auge
Na ILTM Latin America, especialistas comentam como estão lidando com o alto preço da hospitalidade

As tarifas exorbitantes praticadas pela hotelaria no mundo todo neste ano não são impeditivo para brasileiros de alto poder aquisitivo tirarem suas férias no Exterior. Além de continuar tirando o atraso da paralisação do período de pandemia, o topo da pirâmide da indústria de hospitalidade pratica a lei da oferta e demanda e, mesmo com preços nas alturas, segue com suas dependências lotadas, sobretudo para a alta estação.
Diretora de Portfólio Global da ILTM, a britânica Alison Gilmore está no Brasil para acompanhar a edição latina do evento, e resume a situação. No ano passado, ela chamava atenção para o altíssimo tíquete médio praticado na aviação. Neste ano, os bilhetes aéreos seguem caros, conforme a oferta de assentos ainda não é a mesma do pré-pandemia. Mas ela confirma que as viagens estão ainda mais caras devido à alta no valor das reservas hoteleiras.

A proprietária e diretora da Six Viagens, Cláudia Bernardo, concorda, mas com alguma ressalva. Segundo ela, a grande maioria dos clientes está passando por cima das tarifas e mantendo o padrão de suas viagens, mas em alguns casos pontuais os clientes estão repensando itinerários.

O CEO da Viagens & Cia, Thiago Cuencas, tem discurso parecido, mas chama atenção para a necessidade de a hotelaria apresentar algo mais para justificar o preço. Apenas a alta demanda não é o suficiente.

"Nós, que somos especialistas nos chamados destinos exóticos, estamos sentindo uma demanda voluntária dos clientes, algo que não era comum, principalmente para quem atua nesse mercado há 27 anos. Antes, tínhamos de oferecer; hoje, a demanda apenas chega. Os produtos estão na gôndola, basta ver quantos fornecedores de países asiáticos estão na ILTM Latin America."
Bruno Vilaça, da Superviagem, participante frequente das feiras de Turismo de luxo pelo mundo, diz estar participando na melhor ILTM Latin America de todas. Falta é tempo para dar conta de tantos clientes ávidos por viajar. "Não podemos nos queixar. A tarifa hoteleira está muito alta, mas os clientes estão pagando. Como está vendendo, resta a nós trabalharmos."
TENDÊNCIAS DE PRODUTOS

Thiago Cuencas reforça os combinados asiáticos como tendência. "São destinos diferenciados, que requerem o toque do consultor. Vale a pena investir nesses roteiros que incluem Butão, Sri Lanka, Tailândia, Indochina e Japão."
Já Claudia Bernardo vê Turquia voltando com força nos próximos meses e, para ela, isso fará com que o Egito siga em alta. "Mas o que está despontando na Six Viagens mesmo são os cruzeiros. O viajante definitivamente perdeu o medo de entrar a bordo, deixou a pandemia para trás. Nós somos especializados nos produtos marítimos e estamos aproveitando que há equipamentos e serviços com cada vez mais qualidade no mercado", conclui.