A recuperação hoteleira já começou? Saiba em 8 oportunidades e desafios
Pedro Cypriano, da HotelInvest, mapeia oportunidades e desafios para a hotelaria

Como fruto desses encontros e da evolução do setor desde a apresentação do estudo “Recuperação da hotelaria urbana no Brasil”, Cypriano escreveu um artigo para o Portal PANROTAS onde mostra que a hotelaria regional já consegue chegar a 35% de ocupação nesse período pré-retomada e que há uma grande demanda reprimida na hotelaria de lazer. Ele aborda ainda temas como guerra de preços, retomada das viagens corporativas e as perspectivas para os próximos anos.
“Em longo prazo, acredito no potencial de recuperação dos hotéis, assim como no de desenvolvimento econômico do País. Em comparação com mercados maduros, o nosso setor ainda é pequeno e pode crescer imensamente, nas capitais e especialmente em regiões secundárias e terciárias. Em curto prazo, ainda recomendo muita cautela. A reabertura econômica é frágil e as curvas de contágio da covid-19 ainda são altas e não apresentam sinais claros de queda. Até o final do ano a nossa vida hoteleira não será fácil”, escreve ele, que já está também envolvido na preparação de um novo estudo, agora sobre a retomada dos resorts.
Confira abaixo.
“A RECUPERAÇÃO HOTELEIRA NO BRASIL JÁ COMEÇOU?
Por Pedro Cypriano, managing partner da HotelInvest
pcypriano@hotelinvest.com.br

Entre os executivos consultados, algo parece predominante: a recuperação do setor hoteleiro está em curso, mas ainda não para todos. Entendamos como isso se reflete nos diferentes perfis de ativos, regiões e estratégias de investimento.
1 - Em destinos regionais, a ocupação dos hotéis chega a 35%
A tendência de início de recuperação por destinos regionais está se concretizando. Entre os hotéis assessorados pela HotelInvest e os administrados pelos executivos consultados, a ocupação neste perfil de cidade varia entre 25% e 35%.
2 - Na hotelaria regional de lazer, a demanda reprimida é maior
Enquanto as empresas são mais cautelosas na volta das viagens (a trabalho), a propensão de consumo turístico a lazer pelas famílias parece mais imediata. Após a reabertura dos hotéis em Gramado (RS), rapidamente as ocupações bateram 50% nos dias de pico. Em outros destinos próximos a centros urbanos, a procura aos finais de semana chegam próxima ao limite dos apartamentos disponibilizados para venda. A resposta do mercado para esse perfil de destino tem sido positiva, mas ainda é preciso ter cautela. Muitos hotéis continuam fechados e outros, em regiões dependentes de acesso aéreo, os resultados não são tão animadores até o momento.
3 - Expectativa de início de crescimento das viagens corporativas até setembro
A ocupação dos hotéis urbanos segue baixa, mas as equipes comerciais continuam trabalhando bastante. E as consultas às empresas key accounts sinalizam a intensão de retomada das viagens até setembro. Esperemos em breve ver com mais clareza o crescimento das ocupações também dos hotéis urbanos no Brasil. E para isso, é importante que vejamos uma tendência imediata de queda do número de novos casos e de mortes pela covid-19 no País.

Até julho, as ocupações da hotelaria urbana continuam baixas, em especial as das grandes cidades. As empresas estão retomando os trabalhos e as intenções de viagem. O principal entrave é a insegurança sanitária. As curvas de contágio precisam cair, e em todo o País. Enquanto isso não acontecer, os resultados de desempenho dos hotéis estarão mais próximos ao do cenário conservador do estudo de Recuperação da Hotelaria Urbana, ao menos em curto prazo.
5 - Setor evita guerras de preço, mas o risco de quedas tarifárias ainda existe
Executivos de médias e grandes redes do setor têm evitado entrar em guerras tarifárias, pois isso retardaria ainda mais o horizonte de recuperação dos hotéis. Porém, em cidades e empresas menores, a visão de curto prazo ainda pode pressionar os preços para baixo. Até o momento, seguimos em um bom caminho, com quedas próximas a 10%.
6 - Prejuízo acumulado deve ser compensado entre o final de 2020 e o início de 2021
Análises de fluxo de caixa realizadas pela área de Asset Management da HotelInvest, sob a liderança da Thais Perfeito, indicam que os hotéis econômicos devem compensar os prejuízos acumulados em 2020 até o final do ano. E empreendimentos midmarket apenas no primeiro trimestre de 2021. As análises assumem as premissas de top line do cenário moderado do estudo de Recuperação da Hotelaria Urbana.
7 - Investidores seguem cautelosos, mas continuam avaliando novos negócios no setor
As oportunidades de investimento em hotelaria continuam. Dos hotéis em desenvolvimento, apesar dos cronogramas revistos, a maioria segue em estruturação. Dos novos investimentos, a cautela é um pouco maior e são mais restritos. Enquanto o ritmo de recuperação não for claro, é natural que parte dos investidores permaneça em compasso de espera e tenha uma percepção de risco maior no momento.
8 - Em médio prazo, confiança na recuperação do setor é alta
As medidas de readequação operacional estão em implantação e, gradativamente, acredita-se na recuperação da hotelaria nacional. O risco de substituição parcial das viagens por reuniões virtuais, apesar de existir, parece ser menor em comparação com as oportunidades de crescimento de demanda potencial em longo prazo. O Brasil ainda é um país em desenvolvimento e a crise atual pode acelerar a aprovação de reformas que permitiriam um ambiente econômico mais favorável. Esta é a aposta de investidores que estão estruturando novos hotéis, para abertura em um momento mais positivo e diante de um setor que naturalmente “envelhecerá” em razão da utilização dos fundos de reserva e do caixa apertado em curto prazo.

Em longo prazo, acredito no potencial de recuperação dos hotéis, assim como no de desenvolvimento econômico do País. Em comparação com mercados maduros, o nosso setor ainda é pequeno e pode crescer imensamente, nas capitais e especialmente em regiões secundárias e terciárias. As sinalizações reformistas nos poderes Executivo e Legislativo alimentam a minha esperança de um novo Brasil em construção. E imagino que parte dessa crença também é compartilhada por inúmeras empresas e investidores. A volta ao patamar de 100 mil pontos do Ibovespa sinaliza parte desse otimismo.
Em curto prazo, ainda recomendo muita cautela. A reabertura econômica é frágil e as curvas de contágio da covid-19 ainda são altas e não apresentam sinais claros de queda. Até o final do ano a nossa vida hoteleira não será fácil.”