As principais tendências para 2025 observadas por CEOs em business travel; confira
Visões foram compartilhadas em painel realizado durante o Lacte 20, em São Paulo
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Durante o Lacte 20, realizado no WTC Events Center, em São Paulo, foi realizado um painel com diversos CEOs de empresas do setor de Turismo e viagens corporativas. A jornalista Natuza Nery, mediadora do painel, perguntou aos executivos quais são as expectativas e perspectivas para 2025.
Veja os destaques e tendências citados pelos CEOs:
Crescimento da demanda aérea

O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, destacou o crescimento da demanda entre os fatores positivos. “A gente olha para 2025 e tem alguns fatores positivos. A Latam está se preparando para um ano de crescimento de 8% e 10% na demanda em relação ao ano passado. Já estamos em níveis acima do período pré-pandemia, tanto no internacional quanto no doméstico. Vemos uma demanda resiliente aos patamares de preço, que realmente são altos, mas que no fundo estão buscando compensar o câmbio”, destaca Cadier.
“O grande desafio que a gente enfrenta esse ano é volatilidade, é entender onde vai parar essa taxa de câmbio. Diretamente isso impacta de 60% a 70% dos custos das companhias aéreas. Então, quando a gente fala de combustível, de leasing, de toda manutenção, é tudo dolarizado. O dólar tem um impacto muito forte".
A falta de aeronaves foi outro desafio citado pelo executivo. “Os fabricantes não estão conseguindo cumprir os cronogramas originais de entrega das aeronaves que já estavam contratadas e não voltaram a produzir a mesma quantidade de antes da pandemia. Além disso, há mais aeronaves que estão precisando de manutenção dos motores e não tem oficina. Temos aeronaves paradas, o motor esperando a manutenção, mas não tem lugar no mundo para fazer essa manutenção. Então, é questão de falta espaço nas oficinas que são muito especializadas no mundo inteiro. Isso deve continuar no próximo ano e meio, não vai melhorar até 2027".
Regionalização do programa de viagens

"Na Kontik temos uma preocupação muito grande de diversificar nossas receitas, aumentá-las, controlar os nossos custos, o nosso fluxo de caixa. É um ano de incertezas econômicas, um ano pré-eleitoral, mas acreditamos que mesmo assim será um ano melhor do que 2024", comenta o CEO da Kontik Business Travel, Alexandre Castro.
"Quando falamos de América Latina, na minha opinião, temos alguns desafios de viagens corporativas e TMCs, que é olhar os mercados da região, as diferentes economias, os diferentes mercados, o tamanho de cada um deles, a dolarização desse mercado, o Jerome falou um pouco dessa estabilidade, de dólar e a gente tem um outro grande problema num mercado latino que é a fragmentação de conteúdo."
“O que eu acho ser uma grande tendência para o mercado da América Latina é a regionalização do programa de viagens. A gente pensa muito em tentar trazer os mercados para dentro de um ideal, mas precisamos respeitar as características de cada mercado e trabalhar muito na consolidação de dados", conclui Castro.
Eventos presenciais a todo vapor
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"O nosso CEO falou que, a partir da pandemia, passamos a valorizar o presencial muito mais do que valorizávamos antes. Isso é uma ótima notícia para o setor de eventos. É o desejo do cliente, do mercado, o desejo das pessoas de se encontrarem", destaca o managing director da MCI América Latina, Igor Tobias.
"Hoje esse mercado é quase 50% maior do que ele era antes da pandemia globalmente. Então você vê a força dos eventos não só no Brasil, na América Latina, mas no mundo todo. 2024 foi o melhor ano da nossa história, no qual expandimos para a América Latina, só tínhamos operação no Brasil e na Argentina e expandimos para México, Colômbia e Chile. Esperamos crescer de novo em 2025, em torno de 20% a 25% na América Latina. É claro que a gente tem desafios e eu diria que eles se resumem a dois: instabilidade política e econômica", reforça Tobias.
Valorização do tempo do gestor de viagens e do viajante
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"Na Onfly a gente olha muito para o viajante, para o gestor, sobretudo pensando em como estamos devolvendo tempo para eles. Antes da Onfly eu era executivo e viajava muito. E eu gastava muito tempo, por exemplo, pedindo reembolso. Eram quatro ou seis horas por mês pedindo reembolso no papel. Então, hoje, na Onfly, temos uma obsessão com isso e reduzimos esse tempo para dez minutos", afirma o CEO da travel tech, Marcelo Linhares.
"Hoje fazemos isso em dois minutos e a minha provocação com o time de engenharia é: 'por que não fazer em 40 segundos? Temos um time de 140 pessoas focado em gerar valor para o cliente. É isso que a gente tá olhando, o que estamos fazendo'", questiona.
Olhar mais amplo para a mobilidade corporativa

"Há sete anos, o olhar que se tinha para a mobilidade dos funcionários era, de certa forma, um pouco mais tradicional. Era a pessoa que precisava pegar um voo e precisava ter ali algum tipo de locomoção do aeroporto para o hotel ou ir para uma reunião. Isso obviamente continua e representa mais de 70% do nosso negócio hoje. Mas o que a gente observou é que as empresas estão olhando para a mobilidade de uma forma muito mais ampla. Eles estão vendo que movimentar as pessoas significa gerar mais resultado. E movimentar bem traz satisfação para esse funcionário. Então, esse é o olhar que estamos tendo", destaca o country manager da Uber para Empresas, Renan Alves.
"Hoje a gente conversa com grandes e-commerce e eles têm 100 mil pedidos, amanhã eles têm 300 mil. E é curioso porque os e-commerce e os centros de distribuição no Brasil evoluíram de uma forma absurda. O que eles fazem? Eles têm que alocar pessoas nesses centros a depender de onde está tendo mais demanda e geolocalização para ser mais veloz na entrega. O modelo de mobilidade corporativa que existia evoluiu muito. Hoje temos uma demanda muito diferente é onde entendemos que há mais espaço de crescimento, que é um mercado ainda não muito bem atendido."
Crescimento do luxo e diversificação de produtos na hotelaria
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"A Marriott tem diversificado os produtos em resposta à busca por produtos únicos, por experiências diversas que a gente quer ter. Então, acho que uma diversificação são nos destinos. Hoje temos 528 hotéis na América Latina e temos propriedades abrindo lugares que a gente olha no mapa e falar 'peraí, deixa eu ver onde é esse lugar', porque eu nunca ouvi falar antes. E isso vale para a Costa Rica, para a República Dominicana, para destinos novos no México, e também abriremos um hotel em Manaus", afirma Vanessa Martins, diretora de Área Brasil da Marriott International.
"A segunda coisa é o crescimento do luxo, com uma maior demanda do público jovem. Eles buscam essa experiência com um nível elevado. Além disso, outra coisa que cresce são os hotéis all Inclusive e queremos crescer também no midscale, que é o econômico. A gente quer ter hotel onde as pessoas querem ir e pelo preço que elas querem pagar. Então, a gente vai criando produtos para atender todas essas necessidades", conclui Vanessa.