Beatrice Teizen
| 09/06/2020 19:19 | Atualizada em 09/06/2020 19:49
Veja dicas para negociar com hotéis corporativos no pós-pandemia
Diretora global de Contas da Accor Hotels, Susan Shaid-Kedson, traz panorama da indústria hoteleira
A pandemia do novo coronavírus fechou restaurantes, centros comerciais, escritórios e fronteiras. A indústria hoteleira, desde que a contaminação intensificou, foi duramente atingida e hotéis em todo o mundo tiveram de fechar suas portas e suspender operações. Como fica este mercado e o cenário pós-vacina para covid-19? E as negociações em programas de viagens corporativos?
Reprodução
Susan Shaid-Kedson, da Accor Hotels, participou do festival on-line apresentado por Juliana Andrade e Patricia Thomas, da Academia de Viagens Corporativas, e mediado por Artur Luiz Andrade, da PANROTAS
A diretora global de Contas da Accor Hotels, Susan Shaid-Kedson, trouxe ao quarto encontro do 1º Festival Internacional de Viagens e Eventos Corporativos On-line, da Academia de Viagens Corporativas, um pouco do panorama atual do setor de hotéis diante crise, além de dicas para buyers e para processos de RFP.
“A arte da hospitalidade sempre teve a saúde e a segurança dos hóspedes como uma das principais prioridades e isso não é novidade. No entanto, agora estamos tendo guias e protocolos mais fortes para trabalhar neste novo mundo. As coisas poderão ser diferentes no pós-vacina e estamos torcendo para vida voltar ao normal para voltarmos a receber viajantes”, diz Susan.
Separamos algumas dicas práticas tiradas da apresentação de Susan e da interação com as perguntas da audiência. Confira. PARA OS BUYERS A rotina e o futuro dos buyers (de gestores de viagens a profissionais responsáveis pela aprovação da compra nas empresas) mudou e mudará completamente e diversas medidas estão sendo tomadas para encaixar a realidade com a covid-19 em evidência. Para isso, algumas práticas recomendadas ajudam no entendimento:
Leia tudo que estiver ao alcance (informação será crucial nesse momento – de novos protocolos à política comercial)
Pesquise com os viajantes sobre seus medos e necessidades
Talvez seja a hora de reorganizar o papel do gestor e da política de viagens:
Inclua os stakeholders e, talvez, adicione novos: RH, jurídico, gestão de risco, TI
Pode ser que a jornada de ponta a ponta tenha de ser considerada de uma nova maneira:
Qual é a melhor maneira de levar um viajante para onde ele precisa estar?
Uma curta distância a pé até o escritório será agora uma questão importante para a seleção de hotéis?
Pode ser que haja padrões mínimos aos quais todos os hotéis terão de operar
Explore como a TMC pode apoiar os esforços com informações atualizadas do hotel (é hora de se aproximar ainda mais das TMCs e criar relações mais profundas)
Buyers deverão entender que hotéis em todo o mundo também estão consultando com a OMS e CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), além de associações regionais de hotéis, autoridades locais de saúde e governo sobre o desenvolvimento de seus novos protocolos
RFPs Para os processos de RFP e de tarifas, um novo caminho terá de ser desenvolvido em conjunto. Segundo Susan, é muito importante manter uma comunicação constante com os hotéis e fornecedores para entender em que pé estão e como estão se desenvolvendo para que todos cresçam junto.
O bem-estar e a economia são a prioridade agora para seus viajantes ao selecionar hotéis?
A demanda, a curto prazo, pode ter um significado diferente para um hotel:
O comprador tem controle sobre suas viagens? Entender volume e nuances de necessidades
O gestor possui uma ferramenta para se comunicar rapidamente com os viajantes?
A função do sourcing e procurement pode variar agora:
As negociações poderão ser sobre acordos de troca de ações, em vez de baixar completamente as tarifas
Que outras receitas de curto prazo um buyer pode trazer para um hotel?
Como será a capacidade?
Alguns países exigem que apenas uma certa porcentagem de quartos esteja disponível para venda para fins de distanciamento
Para economizar, alguns hotéis podem não abrir todos os quartos imediatamente
Talvez uma quantidade de hotéis nunca consiga abrir novamente:
Como isso afetaria o suprimento de um mercado?
Para o balanço de 2020 haverá incerteza de demanda e oferta nos mercados:
Você trabalha com uma tarifa dinâmica ou um acordo dinâmico para cadeias?
Usar uma tarifa dinâmica em vez de insistir na redução de tarifas. As negociações podem ser individuais com os hotéis mais usados, nacionais e até globais
Processo de RFP 2021:
Devido ao número de equipes de vendas, receita e distribuição, a maioria das redes de hotéis pode não estar pronta para trabalhar nas RFPs até setembro
Diante disso, é recomendado que as empresas repassem suas tarifas de 2020 para o máximo que der em 2021, com poucas exceções para as mudanças nos negócios que podem ter ocorrido durante os desligamentos da covid-19:
Os buyers realmente têm dados para apoiar negociações profundas e em massa?
Não seria melhor para os compradores gastar seu tempo desenvolvendo estratégias e novos planos?
Descontos para cadeias ou preços flutuantes são a melhor maneira de enfrentar 2021 ao procurar por savings
NOVA REALIDADE As viagens a lazer serão extremamente importantes para os hotéis a curto prazo, na retomada no “novo normal”. Pode ser também que os quartos de hotel sejam usados por escritórios para expandir a capacidade ou apenas oferecer um ambiente mais seguro. Embora os hotéis estejam se preparando para o retorno dos eventos e reuniões, essa retomada será após o retorno dos deslocamentos a passeio e corporativos.
“Os deslocamentos se recuperarão mais rapidamente em países com uma forte base de viagens domésticas, em vez de depender das internacionais. Além disso, pode haver uma nova demanda por mercados secundários e terciários, enquanto os viajantes evitam cidades mais populares”, explica a diretora global de Contas da Accor Hotels.
E, neste novo normal, ainda haverá espaço para a personalização, algo tão buscado pela indústria, ou, diante de tantos padrões a serem impostos relacionados à segurança, os hotéis voltarão ao que eram no início dos anos 2000, padronizados e sem muitas características que os diferenciassem?
Susan não vê o desaparecimento da experiência do viajante, da singularidade das estadas e toques locais dos hotéis. “Os protocolos de higiene poderão ser padronizados, temos serviços que seguem padrões, mas a vivência diferenciada dos hóspedes e a personalização não acabarão.” PROGRAMAS DE FIDELIDADE A executiva prevê ainda mudanças nos programas de fidelidade dos hotéis, tornando-os mais fortes do que nunca, com os viajantes sendo ainda mais leais às marcas e redes que frequentam.
Muitas redes estão trabalhando com vendas diretas e aplicando promoções, o que acabará desenvolvendo também um bom negócio não só para o viajante corporativo, mas também para o a passeio. A maioria dos hotéis estendeu ainda os prazos de seus status, o que faz com que os hóspedes continuem engajados com o hotel em questão em um futuro próximo.
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