Corporativo na ativa. Lideranças comentam a retomada
Dados mostram que o setor de viagens e eventos corporativos está voltando gradualmente

Números mais recentes da Abracorp revelam um faturamento de R$ 453,4 milhões das TMCs associadas em setembro, o que representa um aumento de 96% em relação ao mesmo mês de 2020 (que foi de R$ 548.208.349) e de 16% em comparação com agosto deste ano. No trimestre julho a setembro, a recuperação é ainda maior, sendo de 118%, comparada ao mesmo período de 2020.

Para a diretora executiva da Alagev, Giovana Jannuzzelli, a percepção de reaquecimento é a mesma. Com a 17a edição do Lacte confirmada presencialmente para os dias 8 e 9 de março de 2022, no WTC Events Center, em São Paulo, a associação nota uma vontade e uma grande procura por parte das empresas, gestores de viagens e meeting planners de voltar a frequentar eventos.

Por meio de uma pesquisa de intenção de participação no Lacte, cuja pergunta era “você tem interesse de participar presencialmente?”, a entidade registrou 80% de respostas positivas, dizendo que estariam, sim, no evento. Apenas 15% não sabiam dizer e somente 5% informaram que não iriam.
Questionados sobre o motivo de não participar – como licença maternidade, empresa ainda não libera, falta de orçamento para 2022, receio da aglomeração, mora em outro Estado –, Giovana cita que o fator pandemia ainda aparece, mas outros motivos relacionados à vida anterior à crise também surgem.
EXPERIÊNCIA PRESENCIAL É ÚNICA
Os eventos virtuais (e híbridos) funcionam muito bem durante este tempo, diante da impossibilidade de fazer presencial. O mercado se adequou, conseguiu implementar ferramentas eficazes e inovou. No entanto, a experiência não é a mesma de se estar fisicamente em uma feira, uma reunião, um congresso ou convenção.

Diante dessa vontade e de todo o represamento, a associação de live marketing vê as portas se abrindo, com um aquecimento já para esse bimestre (novembro e dezembro). A Fórmula 1, por exemplo, realizada no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, no dia 14 de novembro, reuniu o maior público da história da prova: 182 mil espectadores. Também registrou quase R$ 550 milhões ao Turismo.
“Estima-se que o Grande Prêmio, sozinho, gere R$ 1 bilhão em movimentação econômica em São Paulo. Eventos são uma espiral que repercute em muitos setores econômicos. É a viagem, tem o transporte, alimentos e bebidas, hospedagem, setor de serviços, segurança, recepção, toda a parte de comunicação, digital, suporte... Cada real gasto na organização pode gerar mais de R$ 30 em atividades decorrentes”, explica Pagliarini.
PROBLEMA POSITIVO
Com a demanda reprimida, a vacinação no País avançando e a confiança das empresas e pessoas aumentando, um problema – que, na verdade, pode ser considerado até mesmo algo positivo – que já está sendo sentido é a falta de datas e locais para a realização do evento.
“Os eventos presenciais voltaram. Feiras, congressos e encontros corporativos de empresas. E, para a nossa surpresa, voltaram gerando muitos negócios. Temos problema de datas e espaços, não estamos encontrando dias disponíveis. É uma demanda reprimida para negócios. Os eventos presenciais são importantes, imagine uma feira de vinho, com degustação, evento de gastronomia, de agronegócios... O virtual é conteúdo, mas não é negócio. Ter os cincos sentidos, que é essencial, acontece somente fisicamente”, pontua a presidente da Abeoc Brasil, Fátima Facuri.

Um ponto em comum levantado por todos os representantes das associações ouvidos pela reportagem é a questão da mão de obra. Quando a pandemia teve início, em março de 2020, empresas de todos os segmentos, principalmente do Turismo, precisaram agir e tomar decisões difíceis para conseguir se manter em pé.
Entre elas foi a necessidade de dispensar funcionários. Seja por meio de demissões voluntárias, acordos, licenças ou férias forçadas, as companhias precisaram diminuir significativamente seus quadros de colaboradores. Agora, com a retomada gradual, as empresas estão voltando a contratar ou recontratando os dispensados. Dentro disso entram os treinamentos, capacitações, readequações e isso acaba afetando no cliente final.
“As empresas agora precisam ter o entendimento desta retomada. TMCs, operadoras e outras companhias estão recontratando, por isso, nosso cliente precisará ter um pouco de paciência para entender essa dinâmica. Levará um tempo para as corporações se adequarem para atender seus clientes”, comenta Tanabe.
Os viajantes corporativos, participantes de eventos e todos os envolvidos desta cadeia também deverão ser pacientes e compreensivos em relação aos protocolos. Para viajar, é necessário apresentar o certificado de vacinação e, em muitos destinos, um teste com resultado negativo. Para entrar em eventos, o mesmo. Máscaras poderão continuar por um tempo, assim como uso constante de álcool em gel.
A mensagem final que fica, depois de meses e meses de dificuldades e agonias, é que o corporativo está voltando, sim, e as pessoas querem viajar a trabalho e se encontrar presencialmente em eventos. A pandemia ainda não acabou, todos os cuidados precisam continuar sendo seguidos, mas 2021 pode terminar com um sentimento mais feliz e totalmente diferente do final do ano de 2020. De que o setor de Viagens e Turismo voltou e tem tudo para despontar em 2022. Que as pessoas em breve poderão se reunir ainda mais e trocar experiências que só o olho no olho permite.
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