Boeing revela projetos e pede ajuda do governo brasileiro
Fabricante norte-americana investe também na reciclagem de titânio

“Em julho nós consolidamos a nossa operação no Brasil e, com isso, nossos funcionários foram realocados para o centro de pesquisa em São José dos Campos (SP). Abrimos também um hub de América Latina em Miami, nos Estados Unidos, para atender melhor ao mercado a partir da região norte-americana”, disse Ana Paula. “O Brasil continua sendo o mercado mais importante para a Boeing na AL de várias formas e aqui realizamos aqui pesquisas para serem utilizadas globalmente. Isso comprova a nossa qualidade ao tirar conhecimento dos laboratórios e levar para a indústria”, comemora.
PROJETOS E MELHORIAS
O diretor geral do Centro de Pesquisa e Tecnologia da Boeing no Brasil (Boeing Research & Technology – BR&T Brasil), Antonini Puppin-Macedo, reforçou o alto nível científico que já foi alcançado e revelou que um dos focos para os próximos meses é a série de estudos para diminuição de ruídos.
“Uma área em que investimos bastante foi na redução, computacionalmente, de ruídos aerodinâmicos, relacionados à abertura do trem de pouso que é responsável por 50% do ruído das aeronaves. Há uma regulação mundial para este aspecto e estamos no estágio 4. Ou seja, todos os aviões terão que se sujeitar a essas regras, que variam de acordo com a comunidade local. Algumas dessas tecnologias estamos preparando para voos a partir de 2019”.
O programa tem código aberto e permite a colaboração de outros profissionais. Além disso, está sendo construído um túnel de vento, em parceria com universidades nacionais e internacionais, para validação dos métodos.
Outra área em desenvolvimento na Boeing é o aperfeiçoamento dos sistemas de comando de bordo para que a operação nas aeronaves torne-se mais eficiente. Em paralelo, os pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo estudos em parceria com o centro de pesquisa da Rússia para que seja possível a reciclagem dos rejeitos de titânio, algo que geraria uma economia financeira de 50% a 75%. Dessa maneira, o componente voltaria à sua forma original, podendo ser reutilizado em impressões 3D, e poderia dar origem a novas peças, úteis para a construção de outras aeronaves.
“Estamos com um portfólio de pesquisa muito sólido e semeamos diversos projetos. Temos que competir de igual para igual com todos os centros da Boeing, dentro e fora dos Estados Unidos, com a necessidade de entregar algo à frente de tudo que está sendo feito mundialmente. Continuamos também com nosso foco em biocombustíveis, direcionando mais em políticas públicas, e mantemos uma parceria com a Embraer nesse sentido, mas nosso peso maior é em outras tecnologias que estão, efetivamente, sendo utilizadas em nossos produtos. Nos últimos anos, tivemos 16 patentes (segredos industriais) e publicamos mais de 40 patentes, sendo dez no ano passado e seis neste ano”.

FUTURO
A fabricante norte-americana fez um levantamento de quantas aeronaves a América Latina deve incluir na sua frota aérea: serão 3.010 novas aeronaves nos próximos 20 anos e, desse número, e o Brasil deve ser responsável por 40%. No entanto, essa perspectiva não inclui apenas as aeronaves da Boeing, mas sim a demanda global.
E o primeiro Boeing 737 Max 8 da AL foi entregue oficialmente para as Aerolíneas Argentinas, em Buenos Aires, nesta quinta-feira. O modelo já desponta como a aeronave mais vendida na história da aviação comercial, superando os quatro mil pedidos até agora. A próxima entrega de uma unidade da família Max acontece em fevereiro, para a Copa Airlines, e a Gol receberá a sua primeira aeronave do tipo entre junho e julho de 2018.