Savia Reis   |   21/02/2014 11:54

Preço, malha aérea e combustível são discutidos no RN

NATAL - O tema aviação deu início e também finalizou a quinta edição do Fórum de Turismo do Rio Grande do Norte, que aconteceu quarta-feira e ontem, em Natal. O último debate do evento contou com a participação de representantes das companhias aéreas: Rodrigo Napoli (Avianca), Eduardo Bernardes (Gol

NATAL - O tema aviação deu início e também finalizou a quinta edição do Fórum de Turismo do Rio Grande do Norte, que aconteceu quarta-feira e ontem, em Natal. O último debate do evento contou com a participação de representantes das companhias aéreas: Rodrigo Napoli, da Avianca, Eduardo Bernardes, da Gol, Danielle Lemes , da Tam, e Mário Carvalho, da Tap. José Frota (Azul) foi ao evento, mas sentiu-se mal e não participou do painel, que foi mediado pelo coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio do Rio Grande do Norte, George Gosson.

No primeiro momento, Gosson apresentou a redução no fluxo de passageiros no Aeroporto Augusto Severo, de Natal. “Essa é oportunidade de escutarmos as estratégias para o nosso Estado, principalmente neste momento que temos uma nova infraestutura que pode mudar o turismo [novo aeroporto em São Gonçalo do Amarante]”, disse. O executivo fez uma apresentação bastante didática, com uma série de perguntas aos participantes. Confira abaixo:

Gosson – Quais são as estratégias das companhias que vocês representam para o nosso Estado?

Bernardes – "2012 foi muito difícil para a Gol. Os resultados operacionais da companhia se deram por fatores poucos gerenciáveis pela empresa como, por exemplo, o aumento exagerado de combustível e taxas aeroportuárias. Em função disso, tomamos a decisão de reduzir a oferta com objetivo principal de garantir que a empresa sobrevivesse por mais tempo. Grande parte dos nossos custos estão fora do nosso poder e fomos buscar uma saúde financeira adequada. A recomendação era que a gente deveria reduzir voos em mercados que não temos resultados operacionais positivos, onde a empresa não consegue nem pagar os custos. Houve uma redução de 6% geral. Nenhuma companhia aérea gosta de reduzir oferta. Temos realidade de redução em várias regiões do País."

Danielle – "Custos são os grandes desafios de todos nós. O fato de tirar voo chega a doer o coração. Essa responsabilidade de tirar um voo não é apenas da companhia aérea. Precisamos do apoio de todos não só da iniciativa privada."

Napoli – "A Avianca cresceu em 2013. Mas as empresas que crescem também cancelam voos. Analisamos diariamente os rentáveis e não rentáveis. Colocamos voo direto de Guarulhos [desde/para] e tiramos de Recife [desde/para Natal]. Trocamos para melhorar o resultado financeiro da companhia."

Gosson – O Governo do Ceará anunciou a desoneração do combustível da aviação, o que levou a Tam a colocar um voo diretamente para Miami. De que forma, o Rio Grande do Norte poderia utilizar isso como modelo?

Danielle – "Quando o Ceará sinalizou essa desoneração de redução de ICMS, pensamos na rota internacional. É uma via de mão dupla. O que a gente propõe é havendo a redução, incrementar a malha para o doméstico e o internacional. Sempre há tempo para trabalhar com dados e fatos. Número é frio, objetivo e direito. Uma vez que tenha demanda, evidentemente que a Tam está de portas abertas para essas negociações."

Eduardo – "Toda discussão que envolve o interesse de todas as companhias, a gente tem procurado a Abear que entra nesses debates, que tem o interesse é da industria como um todo. Um dos principais objetivos é das tratativas de combustível. Estamos sempre de portas abertas para discutir com todos Estados já conversamos com a Paraíba, Piauí e Ceará, que seguem com intenção de seguir modelo diferente de tarifa de ICMS."

*Os participantes afirmaram que nenhum representante do Governo do Estado propôs um encontro para debater esse assunto.

Gosson – O que aconteceu com os fretamentos?

Danielle – "Na verdade, não diria diminuição dos fretamentos. Com a abertura de classe C e D, tem todo tipo de passageiro dentro do avião. Hoje tem demanda mais abrangente. Demanda de fretamento já não existe. A Tam esta aberta para fretamento, mas o passageiro de fretamento está no voo regular."

Napoli –"Temos poucas aeronaves e não fazemos fretamento."

Carvalho – "No ponto de vista internacional, os fretamentos existem, quando há picos de demandas que os regulares não conseguem atender. A diminuição é por falta de interesse por Natal. E isso tem que ser encarado de frente. O destino está deixando a desejar por problemas de divulgação."

Gosson – Em agosto de 2011, aconteceu o leilão de São Gonçalo. Em tempo, a Tam iniciava a fusão com a Lan. A empresa disse que isso motivaria um novo hub. Essa decisão já foi tomada?

Danielle – "A decisão ainda não foi tomada, vem sido estudada com muito cuidado. Transformar um destino num hub e por alguma razão ele não dá certo é muito complicado. Tanto no quesito cargas quanto passageiros, o aeroporto tem chances de ser um terminal excelente por conta do projeto."

Gosson – O que vocês vislumbram para malha área regional?


Bernardes – "Qual promessa de aeroportos regional saiu do papel? Como acreditar em um plano que não sai do papel? Para operar com as aeronaves, os aeroportos precisam ter certos tipos de certificações. Operamos em todos os aeroportos brasileiros. Se o aeroporto tivesse certificação, vocês operariam? Depende da demanda. Olhamos o tempo inteiro para novas oportunidades quando houver uma visão mais clara do verdadeiro investimento em um plano de aviação regional, vamos estudar. Aviação é um risco extremamente alto."

Danielle – "A Tam nasceu de uma aviação regional. Mas o tipo de aeronave que usamos e a infraestrutura que precisamos, dificulta."

Gosson – Recentemente, o aeroporto de Guarulhos foi proibido de receber um Airbus 380 por problemas de pista. O pista do nosso novo aeroporto tem 60 metros. Temos chance de receber um equipamento como esse?

Carvalho – "Os aviões de grande porte com capacidade de 600 passageiros são viáveis em rota de altíssima densidade. No Brasil, não estou vendo ainda essa possibilidade. Não vejo essa chance a curto prazo para a natal. Quem quer trazer esses aviões para o Brasil está enxergando uma rota de alta demanda."

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