Luciano Guimarães, da BeFly, fala tudo sobre a compra da Oner Travel
Principal esclarecimento é que apenas agentes poderão vender por meio da plataforma

O vice-presidente da BeFly, Luciano Guimarães, conversou com o Portal PANROTAS a respeito da aquisição, revelou o propósito da compra, a situação financeira da nova empresa, as perspectivas otimistas, a relação com o fundador Antonoaldo Neves, estrutura e o que vai mudar daqui a cerca de dois meses, quando a Oner Travel voltar à ativa. Só não revelou o valor do negócio, por questão contratual.
Luti Guimarães aponta que a Oner não se tornou um desejo da BeFly da noite para o dia, nem só depois que o negócio com a concorrente do ABC Paulista empacou. "Pelo contrário. Começamos a projetar a compra da Oner logo que a empresa foi posta à venda, no ano passado. Vimos nela uma oportunidade enorme, pois eles têm elementos na plataforma que ninguém tem. Só não concordávamos com o fato de qualquer CPF poder vender. Mas com a Oner, quem quiser cria um site em três minutos, ou até mesmo em alguns dias, pois as opções de personalização são muitas", afirma ele.

Veja mais destaques da entrevista do vice-presidente da BeFly sobre a Oner:
APENAS CNPJS
A BeFly está focada em pivotar a plataforma e deixá-la exclusiva para o agente de viagens. "Turismo é serviço. Não é só ir a um site, vender e virar a página. Acreditamos no agente de viagens, em especialistas, na consultoria, no pós-venda", afirma Guimarães.
Ele revela que a Oner chega à BeFly com 80 mil vendedores cadastrados. Deles, 1,4 mil realmente vendiam. Entre esses efetivos, 30% eram agentes e 70% eram CPFs. Mesmo com a minoria, os agentes de viagens eram responsáveis por mais da metade do volume das vendas.
Essa divisão não existirá mais. "CPFs não venderão mais via Oner. Essa é uma das principais alterações. Queremos melhorar a vida do agente de viagens com mais essa plataforma. Até nossos franqueados (BeFly Travel, VaiVoando e Flytour) podem adotar a Oner, se desejarem", explica Guimarães, justificando a estratégia.
"Até 2024 e 2025 o mercado não vai crescer tão facilmente no internacional, pois falta oferta aérea. Desta maneira, a BeFly busca share dando ferramenta para o agente de viagens combater as OTAs e as vendas diretas."
RECONTRATAÇÕES
Tatiane Alves volta a ser head da Oner e, Mickael Quirino, head de Tecnologia da empresa. Ambos já ocuparam esses mesmos cargos. Eles não são os únicos recontratados. "Estamos trazendo de volta Tatiane, Mickael e outras pessoas chaves", aponta o VP da BeFly. "A Oner tinha feito desligamento de profissionais e começamos ontem a recontratar. Serão dez pessoas trabalhando na Oner, a maior parte delas em Tecnologia, pois de rede de fornecedores e de negócios nós temos a expertise necessária. Levaríamos muito tempo para criar internamente uma plataforma com a qualidade da Oner", conclui.
Fornecedores "da casa" como Inhotim, em Minas Gerais, restaurantes no Allianz Park e os hotéis Tryp e Botanique, serão incluídos no portfólio da Oner, mas outros produtos de terceiros também serão incluídos. "Hoje a Oner tem basicamente aéreo, terrestre e seguro viagem. Incluiremos os fornecedores internos e, de imediato, colocaremos locação de veículos e ingressos."
RELAÇÃO COM ANTONOALDO NEVES
O fundador da P2D Travel, que veio a se tornar Oner Travel, Antonoaldo Neves, ex-CEO de Azul e Tap e atual CEO da Etihad Airways, não tem mais relação com a empresa.
As negociações entre BeFly e Oner começaram quando Neves estava à frente da plataforma, mas foram interrompidas com a entrada da CVC Corp. "Antonoaldo está em outra empresa, vamos dar sequência à Oner que ele construiu, com algumas alterações. Ele não faz parte da empresa", afirma Luti.
DÍVIDAS E PASSAGEIROS A EMBARCAR
Perguntado sobre pendências financeiras, Guimarães diz que desconhece dívidas da Oner. "A maior parte das vendas era de aéreo, e está tudo pago ao fornecedor. A plataforma não é como uma operadora tradicional em que o pagamento é feito posteriormente à compra. Tudo é pago imediatamente"
Ainda de acordo com o executivo, a lista de obrigações da empresa se resume essencialmente ao embarque de passageiros, sobretudo em março, abril e maio. "Todas as remarcações e embarques acontecerão. Honraremos como honramos todas as empresas que compramos", esclarece Guimarães.