Rodrigo Vieira   |   03/04/2025 13:16
Atualizada em 03/04/2025 17:16

Tarifaço de Trump e os impactos no Turismo no Brasil

Economistas dão pistas sobre impactos em doméstico, internacional, lazer, corporativo e vistos

Flickr/ Gage Skidmore
Donald Trump
Donald Trump

Donald Trump anunciou, nesta semana, uma sobretaxação dos Estados Unidos sobre 10% dos produtos brasileiros. Global, o "tarifaço" do presidente dos EUA incide sobre impostos de importação. É evidente que uma medida tão abrangente determinada por uma potência econômica afeta diversas camadas da economia, sobretudo diante de tal globalização que vivemos. Poucas nações passarão ilesas pelo tarifaço. E o Turismo do Brasil, é impactado com as tarifas?

Muito embora os desdobramentos da medida de Trump ainda estejam em estágio inicial (negociações ainda deve ocorrer nas próximas semanas), já dá, sim, para apontar plausíveis consequências para o Turismo brasileiro.

"Diante do cenário global, o Brasil está entre os menos impactados, mas havendo aumento de tarifa, de importação, de cadeias de produções globais, os preços serão impactados. A inflação americana tende a aumentar, os custos ficarão mais caros e o norte-americano perderá poder de compra. Virá inflação importada aqui para o Brasil também, o que resulta em mais perda do poder de compra, o que costuma diluir gastos de viagens", afirma o economista especializado em Turismo Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP.

Edilson Dias
Guilherme Dietze, da FecomercioSP
Guilherme Dietze, da FecomercioSP

Então, não só as viagens de lazer, mas também as corporativas devem ser afetadas. É uma tendência apontada não só por Dietze como também pela professora do curso de Turismo da USP, Mariana Aldrigui. Quando os negócios internacionais ficam mais restritos, aumentam-se as barreiras de entrada e consequentemente diminuem-se o fluxo internacional de viagens a trabalho em determinadas rotas.

Brasil pode ganhar mercado

O Brasil pode ganhar mercados com o tarifaço de Trump, como aponta o professor da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Adalmir Marquetti.

“Certamente, a sobretaxação de Trump abre um espaço de negociação e de busca de novos parceiros comerciais. Inclusive o acordo do Mercosul com a União Europeia, esse é o momento de implementar. Esse acordo, de buscar as novas parcerias do Brasil que envolvam tanto a balança de bens e de serviços. Temos uma balança comercial bastante positiva, mas a nossa balança de serviços, no caso brasileiro, é negativa”, afirma o professor.

É esta busca por novos mercados que pode alterar algumas dinâmicas de reservas e viagens, pondera Mariana Aldrigui. Dietze concorda e acrescenta a probabilidade de aumento no fluxo entre Brasil e China. "Já são parceiros importantes, mas as rotas entre as duas nações pode se intensificar. Também é possível que acordos do Mercosul com outros parceiros sejam criados", ilustra o economista.

Luta pela isenção de vistos enfraquece

A FecomercioSP é uma das instituições mais ativas na luta para manter a isenção de vistos para países-chaves, dentre os quais os Estados Unidos são o principal. Guilherme Dietze lamenta, mas acredita que o tarifaço deva ser a pá de cal nesta luta.

"O congresso aprovou rapidamente o projeto de lei de reciprocidade tarifária e, diante deste cenário de unanimidade de governistas e oposição contra essa decisão do Trump, a isenção de vistos não terá espaço. Ainda acreditamos que isentar seria importante para o americano vir ao Brasil a lazer e a trabalho, uma vez que os Estados Unidos são o segundo maior emissor de visitantes ao Brasil, mas o cenário é negativo neste sentido. Seguiremos menos competitivos do que Argentina, Colômbia, Chile e outros sul-americanos que não exigem vistos", afirma o especialista.

Turismo doméstico continuará em alta

O mercado de Turismo no Brasil tem as viagens domésticas como seu principal motor, e a curva ascendente deste gráfico não será impactada pelo tarifaço de Trump.

"O Turismo doméstico depende da nossa estrutura aqui do Brasil, da nossa economia. e nossa economia ainda está crescendo bem, com taxa de desemprego baixa, bastante renda e crédito para as famílias, e isso tem proporcionado tanto o corporativo, com a alta das empresas, quanto no lazer, as férias das famílias", afirma Guilherme Dietze.

"Claro que a inflação global é sempre um problema, pois impacta a economia, e o Turismo é diretamente relacionado ao crescimento econômico, mas não acredito que seja o suficiente para diminuir o volume de viagens domésticas em 2025."

Já o economista Claudio Gonçalves, sócio-diretor da consultoria Planning, afirma que, com o cenário inflacionário e juros mais altos, a desvalorização do real encarece viagens internacionais para os brasileiros, reduzindo o fluxo emissivo, enquanto a instabilidade econômica pode afetar a entrada de turistas estrangeiros no País. "Além disso, a insegurança global gerada pelo aumento das tensões comerciais pode prejudicar investimentos no setor e comprometer a recuperação do Turismo no Brasil."

Com informação da Agência Brasil.

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