Segundo a pesquisa, o resultado da economia no trimestre foi o pior já vivenciado pelo país desde 1980.
DA AGÊNCIA BRASIL
O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) caiu 8,7% no segundo trimestre deste ano, em relação ao período imediatamente anterior, na análise da série dessazonalizada. É o que indica o Monitor do PIB, divulgado hoje (18) pela Fundação Getúlio Vargas. De acordo com o coordenador do Monitor do PIB-FGV, Cláudio Considera, o resultado da economia no segundo trimestre foi “o pior já vivenciado pelo país desde 1980”.
Já na avaliação mensal, o indicador da atividade econômica do Brasil teve alta de 4,2% em junho, se comparado a maio. Na comparação interanual, a economia recuou 10,5% entre abril em junho e 6,5% em junho.
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Na comparação com o ano interior, o único tipo de consumo com crescimento em junho foi o de produtos não duráveis
COVID-19 Para Cláudio Considera, é inegável que a pandemia da covid-19 trouxe enormes desafios para a economia brasileira, que ainda deve demorar a ter solução. Apesar disso, segundo o coordenador, na análise desagregada dos meses do segundo trimestre, foi possível notar que o pior desempenho foi em abril.
“Embora as taxas interanuais de maio e junho ainda estejam muito negativas, já houve melhora dos resultados nesses meses na comparação dessazonalizada. Esses resultados mostram que, embora a economia esteja no segundo trimestre em situação pior em comparação ao anterior, no curto prazo já se observa uma melhora da atividade.” disse.
DEMANDA O consumo das famílias teve queda de 11,6% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. As fortes retrações no consumo de semiduráveis de 51% e de duráveis em 30,2% são explicadas por quedas em todos os segmentos que compõem esses tipos de consumo de bens. Quanto ao consumo de não duráveis, a retração de 1,1% no trimestre veio acompanhada de crescimento nos segmentos alimentícios e de artigos farmacêuticos e de perfumaria.
Na comparação com o ano anterior, o único tipo de consumo com crescimento em junho foi o de produtos não duráveis de 1,2%, mas os demais tipos de consumo de bens registraram retrações menores no mês, em relação a abril e maio.
O consumo de serviços teve a maior retração em maio, de 12,6%, e em junho, embora o recuo tenha sido menor que a do mês anterior, de 10,4%, ainda é mais elevada que a registrada em abril, 9%.
EXPORTAÇÃO O crescimento em alguns ramos de produtos não foi suficiente para evitar a queda de 0,4% na exportação de bens e serviços entre abril e junho, frente ao mesmo trimestre de 2019. Segundo o Monitor, os produtos agropecuários foram o principal destaque com alta de 37,6% no trimestre e contribuição acima de 6 p.p. para o total da exportação.
Em sentido diferente, as retrações da exportação de bens de capital, de 49,5%, dos serviços, de 20,1%, e dos bens intermediários, de 10,5%, anularam os efeitos positivos da exportação de produtos da agropecuária.
Após dois meses consecutivos de queda, o volume total exportado de bens e serviços subiu 9,1% em junho. Na visão da FGV, isso foi reflexo de menores retrações da exportação dos bens de capital, de serviços e de bens intermediários, associadas ao crescimento da exportação dos produtos da extrativa, dos bens de consumo e, principalmente, dos produtos agropecuários.
IMPORTAÇÃO A importação recuou 14,2% no segundo trimestre, ante o mesmo período de 2019. A principal responsável pela expressiva queda do total das importações foi a forte queda da importação de serviços (39,3%), apesar da importação de bens intermediários e de consumo também terem contribuído para a retração no trimestre. As viagens internacionais foram o principal destaque na queda da importação dos serviços.
Quer receber notícias como essa, além das mais lidas da semana e a Revista PANROTAS gratuitamente?
Entre em nosso grupo de WhatsApp.
Sobre os comentários nas notícias da PANROTAS, importante mencionar que todos eles passam por uma mediação prévia. Os comentários não são publicados imediatamente e não há garantia de publicação. Estimulamos toda e qualquer manifestação que tenha relação com o contexto da matéria, que encoraje o debate, complemente a informação e traga pontos de vistas diferentes.
Sobre os comentários nas notícias da PANROTAS, importante mencionar que todos eles passam por uma mediação prévia. Os comentários não são publicados imediatamente e não há garantia de publicação. Estimulamos toda e qualquer manifestação que tenha relação com o contexto da matéria, que encoraje o debate, complemente a informação e traga pontos de vistas diferentes.