Desempenho nas Américas anima Air Europa na superação da crise
Indicadores mostram que a aérea está em alta no Brasil e na vizinhança, mas há obstáculos a superar

Confiante de que o pior da pandemia já tenha sido superado, um dos maiores desafios enfrentados pela Air Europa no momento é a falta de aeronaves para atender a oferta que já seria possível estar ativa após dois anos de demanda reprimida. A Boeing já notificou o atraso de cinco aeronaves previstas para serem entregues em 2022, e a aérea espanhola negocia com outros fornecedores para conseguir preencher esta lacuna.

"Esse incremento na frota, apesar de não ser exatamente como queríamos, vai nos permitir crescer fortemente no período de verão europeu, quando passaremos de 85 para 97 frequências semanais globalmente. São números bem próximos dos níveis de 2019. Se as pessoas não viajaram durante a pandemia não era por falta de desejo e necessidade, e sim pelas restrições globais", afirma o diretor geral para América. Ele diz que o hub na capital espanhola opera hoje 87% ante o mesmo período de 2019 e, na alta de verão, estará em 90%.
Garcia ainda afirma que a palpável meta da Air Europa para 2022 era encerrar 3% acima do período pré-crise, mas o atraso da chegada dos Boeings de fato foi comprometedor. "Dezembro de 2021 foi um mês com números azuis e atravessamos janeiro e fevereiro, que geralmente são meses de perdas, com índices melhores do que o previsto, apesar do aumento de combustível. Estamos com load factor e tíquete médio em níveis que nos enchem de confiança."
SÃO PAULO (GRU) VOLTA A SER DIÁRIO
A partir de 28 de março, a Air Europa volta a servir São Paulo diariamente, igualando a oferta pré-pandemia. Os únicos três destinos que faltam ser atendidos pela companhia para igualar a oferta de 2019 nas Américas são justamente os três nordestinos: Fortaleza, Recife e Salvador. Garcia esclarece que demanda existe e esse retorno só não aconteceu pelo atraso das aeronaves, mas alertou o governo brasileiro sobre o baixo desempenho promocional do País no Exterior.
"O europeu conhece o Caribe, mas não conhece as praias do Brasil. Nossas rotas para o Caribe têm alta ocupação durante o ano todo. O Brasil certamente teria esse potencial. A mensagem que fica para as autoridades brasileiras é que ainda falta muita promoção na Europa de destinos de praia, como os três onde atuamos. Em todas as rotas que operamos no nordeste brasileiro a maioria dos viajantes é composta por europeus que moram aqui e visitam suas famílias, bem diferente das rotas ao Caribe, que têm assentos bloqueados pelas operadoras de lazer europeias", compara o executivo.
Tão logo a frota esteja completa, no entanto, a Air Europa garante que voltará a atender as capitais baiana, cearense e pernambucana. Sob o comando de Gonzalo Romero, o Brasil está apresentando um desempenho satisfatório, na visão de Diego Garcia.
DESEMPENHO DA CLASSE EXECUTIVA
Um dos pontos de destaque é o gosto que o viajante corporativo pegou pelas cabines premium do Dreamliner da companhia espanhola.
"E não à toa, pois além do nosso produto confortável, tecnológico, com privacidade e gastronomia de ponta, o time do Brasil se aproximou muito de empresas de todos os portes. As pequenas e médias empresas são atendidas de perto por nossos representantes. Fidelizamos clientes importantes e evoluímos demais de 2018 para cá", justifica Garcia. "Neste momento, com as econômicas bem ocupadas, também estamos sentindo alta no número de passageiros que acabam tendo a business como única opção para voar de última hora."
A classe executiva nos voos entre São Paulo e Madri decolam com ocupação média de 80%.