Recuperação do Galeão é motivo de limitação de capacidade no Santos Dumont
Presidente da Embratur e prefeito do Rio alegam que fluxo no Santos Dumont tira movimentação do Galeão

"Temos uma defesa intransigente pelo Galeão, que a principal porta do Rio de Janeiro para o Turismo internacional", afirmou o prefeito do Rio em vídeo divulgado em suas redes sociais. Na declaração, Paes argumenta ainda que quanto mais voos domésticos os Santos Dumont recebe, menos movimento o Galeão tem, e por isso é necessário equilibrar o fluxo.
"Historicamente o Rio já perdeu uma série de coisas e se a gente deixa de ter um aeroporto internacional com conexões internacionais essa nossa vocação de cidade global e de capital do Turismo do Brasil também deixa de existir. Se sobrecarregarmos a cidade de voos domésticos vamos perder os internacionais. Não podemos permitir que o Galeão seja destruído", completou Paes.

10 OU 15 MILHÕES?
Mais que a relação com a recuperação do Galeão, a decisão de limitar o fluxo de passageiros no Santos Dumont tem a ver também com um fluxo crescente no terminal e com a adoção de alguns parâmetros contestados de passageiros.Em 2022, o terminal localizado no centro do Rio de Janeiro recebeu mais de 10 milhões de passageiros. Para este ano, segundo comentou o prefeito carioca, a decisão inicial era tolerar um aumento para 15 milhões, o que foi revertido na última sexta-feira (8).
"A discussão era para diminuir a quantidade de voos a partir dos números de 2022, ou seja, menos de 9,9 milhões de passageiros. Aí essa semana aumentam para mais de 15 milhões e agora dizem que vão abaixar para 10 milhões", escreveu o prefeito. "Aqui no Rio tem uma expressão que chamamos de 'bode na sala'. Não sei se vale para todo o Brasil. É mais ou menos assim: colocaram o bode na sala - aumentando o número essa semana - e agora tiram o bode - voltando ao absurdo número anterior - como se fosse uma solução. Francamente! O Rio exige respeito ao principal aeroporto internacional do País. Não vamos ficar quietos assistindo a essa covardia. E eu duvido que o presidente Lula vá compactuar com isso até pq isso é coisa de quem não respeita o Rio. Isso valia no governo anterior. Certamente não nesse", ponderou Paes.

A QUESTÃO GALEÃO
Em sua sequência de publicações, o prefeito carioca elencou razões que tornam a recuperação do Galeão fundamental para o Turismo na região. Paes escreveu:"Em 2022, cerca de 550 mil passageiros internacionais com destino Rio tiveram que fazer conexão em São Paulo para chegar ao Rio;
Hoje o Rio tem voo direto para somente 27 destinos domésticos. São Paulo tem 57, Brasília 40, Belo Horizonte 39, Recife 30;
Em função deste baixo número de destinos domésticos, hoje cerca de 5 mil passageiros/dia têm que fazer pelo menos uma conexão para chegar ao destino final. Este o maior número entre as 10 principais cidades brasileiras.
O Galeão não tem mais conexão com o Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, mercados importantíssimos para alimentar os voos intercontinentais do Rio de Janeiro. Sem esses passageiros, um voo da Lufthansa (Rio-Munich) não consegue voltar para diário, uma American Airlines não consegue manter o voo JFK pelo ano inteiro. Só alta estação…".

Faltaram as autoridades responderem a algumas questões apontadas pelos críticos ao Galeão:
1 - O acesso ao aeroporto irá melhorar? Incluindo a questão de segurança na Linhas Vermelha?
2 - A mobilidade também exige taxistas e motoristas de Uber mais bem preparados e receptivos aos visitantes e não escolhendo corridas e cobrando mais caro.
3 - A economia do Rio sustentaria a quantidade de voos internacionais de outrora? Ou as empresas aéreas não migraram para São Paulo por uma questão de demanda?
4 - Por que nenhuma companhia escolheu o RioGaleão como hub, como o fazia a finada Avianca Brasil? Custos? Burocracia?
5 - As companhias aéreas operam no Santos Dumont porque há demanda e preferência pelo aeroporto. Como relançar o Galeão sem prejudicar o passageiro?
6 - A concessão do Santos Dumont, mesmo com a limitação, aumentaria a concorrência com o RioGaleão. O modelo atual de concessão de GIG, com a Infraero ainda sócia, foi um fator que atrapalhou o desenvolvimento do terminal ou a crise econômica e pandêmica falou mais alto?
7 - A Embratur e o prefeito falam em turistas internacionais prejudicados. Mas a volta do visto para americanos, canadenses, japoneses e australianos não é um entrave maior que uma escala em São Paulo?
8 - Qual o plano de concessão para GIG e SDU e qual a estratégia do governo para desenvolvimento da aviação e a concorrência entre empresas e aeroportos no País, a exemplo de outros mercados, como os Estados Unidos?
O debate, como se vê, é mais amplo do que simplesmente defender um ou outro aeroporto. Se os passageiros não quiserem pegar voos no Galeão e se não houver demanda suficiente, as aéreas não migrarão de livre e espontânea vontade. O estabelecimento de um hub, como o da antiga Avianca Brasil, é uma condição fundamental para a volta de importância do RioGaleão.