Corte de custos e expansão: Alitalia detalha novo plano
Aérea italiana revela novo planejamento após recuperação judicial com aposta em voos de longa distância

Em princípio, um plano de negócios era tratado como prioridade para mudar o rumo da principal aérea italiana, mas tudo foi por água abaixo após os funcionários rejeitarem a implantação do projeto. Dos quase 12 mil profissionais, 67% votaram contra o novo planejamento, que previa 980 demissões e um corte de 8% nos salários de pilotos e tripulantes.
“Muitas vezes nós erramos na comunicação com os trabalhadores, e esse foi um dos casos. Eles não sabiam o que era esse novo plano de negócios e negaram sem saber o que poderia fazer a favor da empresa”, admite o CCO. Segundo ele, a aérea receberia dois bilhões de euros (R$ 7,3 bilhões) dos acionistas, sendo metade de entidades italianas e a outra metade do grupo Etihad, dono de 49% das ações da Alitalia desde 2014. A negativa dos funcionários, no entanto, fez com que o valor não pudesse ter sido injetado e o governo italiano entrasse em cena com um empréstimo de 600 milhões de euros (quase R$ 2,2 bilhões).
O pedido de Administração Extraordinária, porém, é visto com otimismo por Vilches. Entre as vantagens dessa situação está a possibilidade de renegociar contratos firmados no passado, mas que prejudicavam o caixa da empresa. O leasing de aeronaves e o preço do combustível, por exemplo, são citados entre eles por terem sido fechados a valores exorbitantes, chegando a custar três vezes mais do que o valor normal de mercado.

“A Administração Extraordinária nos permite implementar elementos do plano de negócio e tudo aquilo que for necessário para garantir a continuidade da empresa sem as limitações que tínhamos antes. Exemplo disso é a chance de limpar esses contratos”, afirma Vilches, que ainda revela uma economia de 120 milhões de euros apenas com a renegociação de alguns acordos de combustível.
A concorrência das low costs no doméstico europeu também é outro ponto a afetar os números da Alitalia. Com 75% da oferta para aviões pequenos, ela disputa diretamente com empresas como Ryanair e Vueling, mas sem ter os baixos custos dessas empresas, fato que levou a uma "briga" de preços em que a aérea italiana saiu perdendo feio.
Novo ares
Se essa não é a primeira vez que a Alitalia passa por uma situação complicada deste nível – em 2008 e 2014, a aérea chegou a ficar próxima da falência –, as movimentações já começam a ser feitas para tentar mudar o rumo da empresa. Cerca de 300 funcionários já foram demitidos, enquanto outros 900 trabalham em período reduzido, tendo salários divididos entre a companhia e o governo da Itália. Agora, depois de cortar custos, o objetivo é crescer apostando em uma opção diferente.
“Nossa visão mostra que o futuro está na expansão do nosso produto de longa distância, pois eles são os voos mais rentáveis e onde nós conseguimos mais dinheiro”, conta o CCO, que aponta o Brasil como destino estratégico e exalta a importância do recente anúncio de crescimento de 85% das operações ao aumentar as frequências de São Paulo e Rio de Janeiro para Roma, na Itália. Ao ser perguntado sobre novos destinos, Vilches prefere não ser incisivo, mas revela que a Alitalia já olha ‘com carinho’ para Porto Alegre e a região Nordeste do País.
Outro ponto abordado com cuidado pela aérea é o processo de venda das ações. Jorge Vilches admite a chegada de 33 propostas oficiais para adquirir ações parciais ou em totalidade e revela que as decisões serão tomadas até outubro. Lá, as principais ofertas começarão a ser discutidas diretamente com os grupos interessados. "Temos preferência por uma empresa que queira participar da Alitalia como ela é hoje", finaliza o CCO.